.As Maravilhas do País de Alice.

Segunda-feira, Dezembro 31, 2007



"Minha casa foi tomada por flores.
Tragam copos, tragam vasos para a invasão das cores.
Minha casa foi tomada por flores.
Venham almas e retalhos: vou repartir canções."
(Sílvio Rodriguez)


Esse é o último dia de um ano que foi ótimo pra mim.

Muitas surpresas boas.
Poucas perdas.
Um balanço totalmente positivo.

Pela primeira vez vou passar a virada em Copacabana e estou um tanto ansiosa.
Prometo que volto pra contar como foi.

Que 2008 seja uma delícia pra você.
E que possamos nos ver mais.
Sempre mais.

Beijo da Dona do País.


Sábado, Dezembro 15, 2007


"Lá o tempo espera, lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar"
(M. M.)




Ontem foi meu aniversário e minha casa se fez de Vilarejo com todas as suas portas e janelas abertas para quem quisesse chegar. No entanto, uma chuva torrencial se fez de cortina pro meu cenário feito com tanto cuidado pra quem quisesse olhar. Valeu a pena o esmero e o cansaço, só pra ver a Arte tomando conta do olhar de cada um que se permitiu participar. E assim, ".As Maravilhas de Alice - O Sarau." foi um sucesso no meu coração.

Quisera eu que você também estivesse aqui pra ver de perto a delícia que foi.
Quisera eu ter poder descrevê-lo pra você.

Beijo grande e ano que vem tem mais...

p.s: um agradecimento especial para cada um dos meus amigos que divide comigo esta paixão pela Arte e pela vida.

Terça-feira, Dezembro 04, 2007


Maria Martins, "O Impossível"


“Eu adoro comer doce de banana com garfo e odeio esperar quem quer que seja. Não quero casar porque tenho medo da separação e não quero ter filho porque não quero ser mãe. Se ainda fosse pra ser pai. Tenho estado distante das palavras como um exilado que vê da janela do avião seu país acenar de longe. Eu tenho vergonha de acenar. De chorar vendo meu próprio reflexo sofrido. Então eu finjo que esqueço e invento novas bobagens. Pedaços de distração que logo somem na poeira inspiradora que é lidar com diversas artes. Uma hora quero pintar, outra hora quero inventar e o tempo vai passando sem que nada de concreto se realize a não ser restos de nuvens empoeiradas e sujas. Nada que valha a pena. Tudo anda bem até demais e isso preocupa. Mania eterna de sofrer antes da hora. Não gosta do natal porque lembra começo de ano e o ano só começa depois do carnaval, o que ela realmente odeia. Não sabe nem porquê. Aliás, não sabe de nada. Não sabe a capital da Austrália. Confunde Di Cavalcanti com Portinari. Não faz idéia do que sejam vetores. Não consegue nem lembrar direito a ordem alfabética de todos os seus amores. Passa horas distraída com móbiles vindos do espaço de sua imaginação super desenvolvida. Se desapercebe toda. Esquece suas próprias preferências. Não respeita seus próprios limites. Se camufla atrás de uma imagem bonita e colorida, escolhida a dedo. Virou uma mancha de si. Do que foi. Do que poderia ter sido. Teoria da auto-sabotagem que a persegue faz tempo. Teoria que também é mentira. Porque faz tempo que a verdade não vem visitar seus olhos de escudo ofuscante. Límpidos como seu pára-brisa em dia de chuva de granizo. Ela tenta acompanhar o movimento, mas se cansa. O peso que carrega no peito faz doer todo o resto. Já desistiu das sandálias. Há sombras nos pés descalços. O cabelo já não é o mesmo e isso dói mais do que ela pode suportar. Tem pensado em começar tudo de novo, mas dá um medo de desistir novamente no caminho. Não sabe ainda o que poderia ser diferente. Não sabe se conseguiria mudar, encontrar a ponta do durex perdida. O barulho do ventilador ainda irrita. O doce ainda é gostoso. E a alface é verde demais. Barragem que cede fácil. Tem mil e uma vontades diferentes em intervalos diminutos, difíceis de acompanhar. A miopia que a faz olhar tudo de perto torna cada vez mais embaçado o mundo aonde ela gostaria de estar.”

(.Estranheza. 03.12.2007.)