.As Maravilhas do País de Alice.

Domingo, Julho 16, 2006


"O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência"
(Lenine)



Apesar de achá-lo um grande músico, eu não sou muito chegada ao som do Lenine. Mas essa semana, ouvindo uma música dele no rádio, eu pude perceber a genialidade desse artista que ainda hoje me soa um tanto estranho. A música em questão tem uma melodia que eu também não gostei, mas a letra ficou rodando na minha cabeça durante um bom tempo. Tempo suficiente para que eu a trouxesse pra cá. E olha que eu só trago o que eu realmente gosto, porque acho que isso aqui é lugar privilegiado, só para belezas incomparáveis. Como se eu só vivesse envolvida nessas belezas. Mas tudo bem. O que me capturou nessa letra é o domínio que o Lenine tem sobre nossa língua e sobre como ele soube utilizar isso com maestria.

Na verdade, acho que o que mexeu comigo mesmo, foi que essa letra sintetiza quase exatamente como geralmente eu me sinto em relação às coisas desse mundo. É claro que eu sei que as coisas nem sempre podem ter essa praticidade que eu vejo ser o fio condutor dessa letra. O mundo não é tão simples assim. Pelo contrário. O meu então, nossa. Tá mais pra labirinto e longe de ser simples, belo e direto, apesar de eu querer sempre que as coisas se resolvam mais facilmente. Mas acontece que uma parte de mim gosta de pensar que tem tudo ao seu controle e que tudo pode, no fundo no fundo, ser resolvido facilmente. Basta a gente querer. E querer de coração.


Tentar não sofrer a toa.
Tentar não se aborrecer por besteira.
Tentar não ter ciúme sem razão.
Tentar não julgar os outros de antemão.
Tentar perdoar sem ficar com o pé atrás.
Tentar não implicar com o outro só por diversão.

Tentar.

Apenas tentar.

Tentar experimentar como seria ter o coração tranquilo e livre de sentimentos chatos, implicantes e desnecessários.

Querer, no fundo de si mesmo, tentar ser uma pessoa melhor.
E acho que é o que eu quero tentar fazer isso hoje.

Fica a dica pra quem estiver sem ter o que fazer.

Beijo e boas férias pra vocês...

"Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta

Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora

Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite

Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance

Se tá puto, quebre
Ta feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre

Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure

Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele

Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
Quer dever, prometa
Pra moldar, derreta
Não se submeta"



Domingo, Julho 02, 2006






"A minha tristeza hoje é verde e amarela embrulhada em plástico vagabundo e colorido que há poucos minutos brincava de enfeitar a minha rua. Porque foi bom enquanto durou. E é como todo mundo diz. Copa é assim mesmo. Quando começa, todo mundo tem chance, apesar de todo favoritismo. Predileção que não deu em nada. Hoje a minha tristeza é calma, quieta, silenciosa e escondida sob a lembrança de cada bandeira que me acenava do mastro que se tornou o meu carro. A janela do quarto do vizinho. A varanda da casa da frente. A camisa que eu comprei na véspera do primeiro jogo que quase me trouxe um infarto no miocárdio. É uma tristeza esquisita, misturada com um monte de coisa que eu ainda não sei dizer direito o que é, mas que eu já sei que dói pra caramba, principalmente quando lembro que junto comigo ainda tem mais uns cento e oitenta milhões de corações apertados como o meu e que há algumas semanas monitoravam com atenção um ônibus cheio de esperança. E que está voltando pra casa. É uma mistura de tristeza e medo de que todo aquele amor que eu estava achando um barato de ver em cada pessoa que eu via na rua se acabe. Que se esfarele, que se despedace e que suje todo o chão como vi ainda agora quando estava voltando pra casa. Medo de não ver mais aquele brilho no olhar de quem tinha orgulho de ser o que era quando começava o nosso jogo, porque eu tenho certeza de que todo mundo tem vontade de chorar quando vê o nosso time cantar o nosso hino. E é disso que eu tenho mais medo. De ver a gente perder a graça de usar esse pronome com tanta satisfação e entusiasmo. Porque eu queria que isso não morresse nunca. Porque eu queria que quarta-feira fosse mais um feriado. E porque eu queria que o dia de hoje não chegasse nunca, porque hoje a minha tristeza é vazia e desarrumada como a minha rua."



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