.As Maravilhas do País de Alice.

Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

"Mas muito pra mim é tão pouco /E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca /Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca /Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco /E pouco eu não quero mais..."
(Moska)







O melhor do meu carnaval foi uma bola de sorvete de graviola que eu tomei bem devagar pra ver se durava até quarta-feira.








Domingo, Fevereiro 12, 2006

"E ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver."
(Marcelo Camelo)

É fato: eu prefiro o Camelo.
O outro me soa mais amargo.

No entanto, ouvir essa banda é como perceber sabores diferentes numa mesma colherada. O doce é de banana, mas eu sinto a canela, eu sinto o açúcar e eu sinto a banana. Tudo muito separado. O som vem muito dissociado para minhas percepções ainda não acostumadas. Como se fosse uma tela abstrata com cores muito fortes e enormes pinceladas. Uma por sobre a outra. Repetidamente. Tem hora que eu gosto. Tem hora que eu não gosto tanto assim. E tem até aquela hora em que eu desisto de tudo porque tá muito barulho. São sons estranhos. Distorções que me remetem às ilhas Galápagos. Como se eu visse animais esquisitos pela primeira vez. Fica um lado palpitando porque é estranho. Fica o outro achando incrível porque é estranho. E no meio fica a certeza de que o que agora é estranho pode ter muitos significados. Fala de amor, mas dói. É música, mas belisca. É seco, mas é doce. E é estranho.

Mas eu acho que gosto.

É. É isso.

Eu acho que gosto.

Mesmo sendo estranho. E talvez até por ser estranho.
Ou não.

Tá respondido, Peci?

Beijo e música. Estranhas ou não.
Sempre...

p.s: Marcelo Camelo é integrante da banda Los Hermanos, à qual eu me refiro.

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006



Eu sou o camelo da esquerda.


"O calor que faz nessa cidade é de derreter todos os ânimos possíveis. Eu perco o sono. A tranqüilidade no estômago. E ainda por cima tenho que mudar meu caminho por causa de chuvas homéricas. Eu odeio o verão. Eu odeio as cadeiras pelas calçadas. Eu odeio o cheiro de manga que fica pela casa. Eu odeio vasilha de salada de fruta interrompendo a geladeira. Eu odeio pernilongo abusado. A roupa pesa. O cabelo incomoda. A pele mina. E a vida parece continuar numa eterna sauna a vapor sem direito a toalha. Eu me canso. Eu enjôo. Eu tenho vertigens. Eu vislumbro o momento do por do sol como quem precisa de água. E eu preciso de água. Época em que a sede parece buraco na areia perto da água. E ela ressurge. E ela ressurge. E ela ressurge. E o assunto só passa a ser esse. Nossa, tá muito calor. Diz o jornal que hoje vai chover. Enchente mata quatro em shopping. Será que vai dar praia amanhã? Eu tô cansada das mínimas e aborrecidíssima com as máximas exibidas nas pontas dos jornais. Eu tenho medo dos termômetros que marcam impiedosos números que eu nem espero pra ver mais. Eu odeio som de ventilador. A incapacidade tardia do ar condicionado. A falta de consideração das paredes da minha casa que teimam em esquentar tudo o que tem dentro como se fosse um grande prato de rabada. Casa que vira microondas no cair da tarde. Agora eu quero a geladeira. Eu quero ser uma garrafa dágua. Uma forminha de gelo. Eu quero ser uma gaveta do freezer, aquela bem lá embaixo, cheia de restos de carnes estranhas que a gente quase nem advinha. Eu quero ser o azulejo desinibido a desfrutar dos prazeres tranqüilos e refrescantes da minha piscina."


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