.As Maravilhas do País de Alice.

Segunda-feira, Maio 16, 2005


É que eu não consigo mais pensar em outra coisa...


"Nosso sonho
Se perdeu no fio da vida.
E eu vou embora
Sem mais feridas,
Sem despedidas.

Eu quero ver o mar.
Eu quero ver o mar.
Eu quero ver o mar.

Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo,
Lembre da nossa música,
música.

Se lembrar dos tempos,
Dos nossos momentos,
Lembre da nossa música,
música.

Nossas juras de amor
Já desbotadas.
Nossos beijos de outrora
Foram guardados.

Nosso mais belo plano
Desperdiçado.
Nossa graça e vontade
Derretem na chuva.

Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo,
Lembre da nossa música,
música.

Se lembrar dos tempos,
Dos nossos momentos,
Lembre da nossa música,
música.

Um costume de nós
Fica agarrado.
As lembranças, os cheiros
Dilacerados.

Nossa bela história
Está no passado.
O amor que me tinhas
Era pouco e se acabou."

("Música" - Vanessa Da Mata e Liminha)


...só nessa música.

Ouçam.
E se não for pedir demais, lembrem-se de mim.
Porque eu tenho certeza de que não há como ficar imune.

Beijos da dona de um país que anda sem vista para o mar...


Domingo, Maio 01, 2005


Um texto para procurar Alice

"O escritor resvala na sua própria ausência; quer pegar a chave pra abrir o livro-cofre onde ele mesmo trancafiou sua história. Se depara com suas próprias crias pulando pra fora da página como peixes vivos a se debaterem no chão. Só mais um pouquinho e vamos assistir novamente o encontro dos 'brancos vazios' com a grande fome de relatar com minúcias a perplexidade de estar diante do mundo cheio de veredas estranhas. Onde está Alice? Em seu país os dias são maiores, mais doces, recheados com a calda deliciosa do prazer cotidiano. Saem os anônimos e fiéis amigos de suas telas particulares e voam num 'clic' pra o país dela que também é nosso. Num instante tudo é restaurado com alegria embelezadora, chuvisco-radiante-interior que deixa a alma lavada e sem poeira, fica fácil resolver problemas depois de deglutidos os 'escritos-vitamínicos-alicianos'. Coloquei um anúncio em grandes letras no jornal de domingo, UM TEXTO PARA PROCURAR ALICE. Deram-me várias alternativas. Apostaram em 'fingimento poético', 'férias sem literatura', 'fuga da literatura', rebeldia. Como não sou de apostas porque nunca fui contemplada com nenhuma vitória, defendo a hipótese de 'retiro-promissor', aquele que promete na volta, tal qual jogão de returno, teremos torcida alegre, dribles e título. Preparo a minha sala pro 'grande dia'. As flores que a enfeitam estão dando o que falar de tão formosas! Entre achados e perdidos estou eu, debruçada sobre o glossário que não me salva com a verdade nem me condena. Desculpe se me misturei quase toda ao seu bilhete."

(Ester Chaves, Um texto para procurar Alice, Brasília - 29/04/05)


Acabei de receber este email da Ester, uma amiga trazida pela internet e que ainda não tive a oportunidade de conhecer. Fiquei muito emocionada com o texto porque ele é de uma boniteza tão singela e doce, que é como se não fosse pra mim. E eu agora fico aqui procurando tantas coisas que eu gostaria de poder dizer...
Seja como for...
Ester, saiba que eu também estou procurando.

Um beijo.

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