.As Maravilhas do País de Alice.

Sábado, Setembro 25, 2004





Eu nunca tive sorte no amor.



P.s: Só queria esclarecer que essa frase não é uma reclamação, um lamento ou desabafo amargurado. Isso é apenas uma constatação e nela não há juízo de valor algum. Ou seja: não há bom ou ruim em se ter ou não sorte no amor, se é que isso realmente é possível. O que digo nessa frase é: eu quero a sorte de um amor tranqüilo, pleno e amável em todas as suas condições. Um amor que possa ser reverenciado no sofá da sala de um domingo à tarde, sem qualquer desassossego. É esse o amor que eu quero e é dele que se morre. Pelo menos até segunda ordem.


Ficamos entendidos?

Um beijo e perdoem meu sistema de comentários.
Ele anda meio sentimental...


Sábado, Setembro 18, 2004


"Quero essa madona toda ela só pra mim
Fazer do seu espaço
Minha casa, meu jardim
Ficar ao lado dela
Guardar tudo pra mim
O seu beijo ardente
Mesmo quando for ruim"
(Mano Borges)


"Acho que matei um poema agora. Tava cansada. Queria dormir. Me livrar desse peso que é falta de assunto na internet. Descansar. Desliguei o computador sem nem mesmo olhar para trás. Sem nenhuma pena do que poderia nascer de mim num piscar de olhos assim. E cá teria um novo texto. Novas linhas acolchoadas a acomodar egos alheios. Corações e entranhas. Mas não. Fui má e cruel e joguei água fervendo no vaso da minha própria planta. Interrompi o processo que poderia trazer novos horizontes. Inclinados. Tracejados. Meio mal feitos. Porque dei de uns tempos pra cá de escrever como quem faz bolo com pressa, achando que já sabe a receita. Sabe nada. Tudo o que eu sabia de cór acabou perdendo a cor e eis que eu tenho um bolo solado mais uma vez. Mais uma frase pela metade. Mais um engano. Mais um descaso. A deusa da inspiração me sorri de lado querendo oferendas. Querendo encomendas e um pouco de consideração. Eu rio pra ela. E isso é sacrilégio. Eu ando pelas encruzilhadas e mexo na farofa e no espelho. Futuco o que a tigela traz dentro. Derramo o líquido da garrafa pra fora. E ela não se aborrece. Ela me olha inteira procurando motivo de tanto atrevimento. De tanta ousadia. Menina mal criada mimada por maravilhas que sempre se fizeram estar. País de cortesias. Talvez mentiras. Eu que sei da minha dor e não me aborreço ao bordá-la em seu bastidor que de quebrado me cansa o braço. O olhar e o laço. Eu não te encanto mais. Não te adesivo. Não te recebo direito. Invento todo tipo de fermento pra crescer nossa distância. Pra me afastar. Sinto-me tão sozinha. Do mesmo jeitinho de como era antes, onde solidão era festa noite adentro pra minhas palavras agora tortas cá fora. Filhotes e estranhas no ninho. Meu paradoxo preferido: a solidão que traz folia. Estrago momentaneamente poético. Crimes de amor. Porque se mata um coração, mas não se perde a rima. Lema de escritor envolvido que adora sofrimento pra compor. E perde-se um tempo daqueles na vida. Vai viver. Vai ver filho crescer. Vai ser gente grande. Vai escrever sobre o resto da gente que é o que mais importa. Larga um pouco sua dor de menino errante, abandonado ainda pequeno embaixo de escada. Dá valor pra tua carne. Bota ela no mercado. Colorido. Já que negro nunca foi sua cor. Vai ser feliz do jeito que for, liberto das escravas-palavras-malvadas e guias. Vai viver sua própria fantasia onde nossa deusa senta à mesa e anda com pé no chão como toda gente, ainda que de vez em quando você veja um lampejo de brilhante saindo bem de dentro dos olhos dela. E é nessas horas que você se arrepia e tem vontade de escancarar a janela. Pregar na porta que está ocupado. Virar escravo por toda eternidade. Mentir com a cara mais lavada e soltar aquele disparate só porque está sob os efeitos dela, hipnótica e encantadora. Intrépida e inodora. Arredia e devastadora a desinibir cofres a fora. A revelar segredos intensos. Que sabe o que quer independente da hora.

Essa força-encanto irritante que me fez levantar no meio da noite só pra estar aqui agora."


(.A Dona do País. em .Encantando Serpentes. )



Sexta-feira, Setembro 10, 2004



.Eu e Ela. .Outubro de 2002. Roma.




"Farpa quando sai do dedo.
Rodízio quando se tem fome.
Suco de pêssego pra sede.
Sono pra noite insone.
Banho quando se chega em casa.
Exame que dá negativo.
Ar condicionado em dezembro.
Mergulho após se ter corrido.
Primeiro beijo que dá certo.
Férias de fim de ano.
Notícia boa ao telefone.
Amor que enfim está chegando.
Beleza quando se apresenta.
Compra de convite tão esperado.
Sim pra aquele seu desejo.
Encontrar alguém pra ficar do lado.
Banheiro que se aproxima.
Confiança de talismã.
Ver o texto terminado
Você pra sempre como minha irmã."

(.Alívio Imediato. 10/09/2004.)


Para Aline Venturi...

Meus sinceros parabéns para a pessoa que faz com que meus dias sejam menos confusos e tortuosos há exatos 23 anos.
E que assim seja.

Irmã, você sempre foi tudo pra mim.
Minha ponte. Escada. Livro. Minha casa.
Meu farol e minha inspiração.

Eu amo você.
Um beijo.

P.s in 13/09: parabéns também para o meu cunhadão que faz aniversário hoje! Nilsinho, felicidades eternassss!!! Beijo!

Domingo, Setembro 05, 2004

"Eu não tenho nada pra contar.
Eu não tenho nada pra mostrar.
Eu não tenho nada pra dizer e muito menos pra encantar.

Eu não tenho carro.
Eu não tenho alinhamento.
Eu não tenho vistoria e nem carteira.
Eu não tenho livro de auto-escola em cabeceira.

Eu não tenho barro.
Eu não tenho tijolo.
Eu não tenho casa e nem construção aparente.
Eu não tenho sustentação que me oriente.
Eu não tenho base e nem alicerce visível.

Eu não tenho pau.
Eu não tenho pedra.
Eu não tenho música e nem a esfera poética.
Eu não tenho a cinética necessária para sua dialética de agora.

Eu não tenho calma.
Eu não tenho palma.
Eu não tenho o vazio necessário pra se nascer de novo.
Eu não tenho a casca pra se quebrar do ovo.

Eu não tenho firmamento.
Eu não tenho elemento.
Eu não tenho motor de arranque.
Eu não tenho a asa leve como se deveria para um bom enlace.
Eu não tenho hélice.

Eu não tenho panela.
Eu não tenho frigideira.
Eu não tenho o preparo concentrado do tempero que descansa na janela.
Eu não tenho o jeito e nem a organela.
Eu não tenho o gosto.

Eu não tenho o tempo.
Eu não tenho engenho.
Eu não tenho moinho e não tenho escuna.
Eu não tenho a energia pra chegar na ponta da caverna agora tão escura.
Eu não tenho o livro.

Eu não tenho verbo.
Eu não tenho o certo.
Eu não tenho o poema que precisava ser sincero.
Eu não tenho dicionário que me diga a razão do peito aberto,
desse corte profundo na alma.

Eu não tenho jaula.

Eu... só tenho alma."

(.A Dona do País. em .Inventário.)


P.s: esqueci de dizer também que eu não tenho um sistema de comentários eficiente no momento. Tenho recebido emails de alguns amigos dizendo que não têm conseguido deixar recados aqui. Sendo assim, caso seja esse seu caso, escreva-me em meu email:

aliceventuri@hotmail.com

Eu vou gostar bem.
Beijo.

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